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O Hotel Fazenda SERRAVERDE está situado na Estrada Real, além de já ter sido “pouso” de vários Bandeirantes, entre eles Fernão Dias, de seu genro Borba Gato e de outros lendários desbravadores. A Estrada Real representa uma velha cicatriz, lembrança de um corte profundo traçado a partir do litoral do Rio de Janeiro até o coração de Minas Gerais. Por este ferimento, o Brasil sangrou, no século XVIII, algo em torno de 650 toneladas de ouro e outra fábula em diamantes. Nesta ferida aberta correu também muito sangue em pelo menos três movimentos revolucionários que marcaram a história brasileira: a Guerra dos Emboabas, o Levante de 1720 e a Inconfidência Mineira. Na Estrada Real, a ânsia libertária e revolucionária foi punida, presa, esquartejada e os pedaços espalhados nos caminhos como aviso e ameaça.

Os vestígios de todos esses acontecimentos estão, com maior ou menor intensidade, talhados nas feições das cidades ou apropriados pela memória coletiva. Nos lugares por onde passava o Caminho Velho do Ouro, personagens de outro tempo estão em cena. Conversar com eles é abrir a porta do passado para compreender o presente. Hoje, descobrir inteiramente o traço exato da Estrada Real é muito difícil. Haviam muitos caminhos ilegais abertos no mato e usados para burlar os pedágios cobrados pela Coroa e utilizados para assaltos. Houve um enorme carregamento de ouro que foi misteriosamente mexido entre Vila Rica e Guaratinguetá. Quando abriram as caixas, em Lisboa, só havia areia… No percurso de Cunha (SP) a Paraty era onde haviam mais salteadores, segundo relatos.

O primeiro traçado desta estrada, o mais antigo, conhecido como Caminho Velho do Ouro, era o que por aqui passou, saindo de Paraty (RJ) em direção a São João del-Rei, Ouro Preto e Diamantina, cidades históricas mineiras.

A melhor maneira de construir uma estrada é aproveitar um caminho já pronto. No começo do século XVII, os bandeirantes e os aventureiros que chegavam da Europa aproveitaram os caminhos dos índios guainás, que ligavam a baia de Paraty (RJ) ao Vale do Paraíba, em São Paulo, para explorar o interior do país. Inicialmente, essas campanhas partiam à procura de Índios. Depois, transformaram-se em expedições de prospecção. Desse período, a iniciativa mais importante se deve a Fernão Dias que, em abril de 1674, partiu com o filho Garcia Rodrigues, o genro Borba Gato e um exército de aventureiros em busca de pedras preciosas. A inspiração para a bandeira veio das amostras de prata e esmeraldas trazidas por Marcos Azevedo, um aventureiro que terminou seus dias na prisão.

O caminho percorrido por Fernão Dias estabeleceu uma rota segura para o misterioso sertão das Gerais, saindo de São Paulo até Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, vencendo a Mantiqueira e atravessando a garganta do Embaú, uma passagem encoberta de matas e nevoeiros, quase um portal para as minas das gerais. Seguindo a trilha dos cataguazes, acompanharam o Rio Verde, passaram por Capivari, Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos e Baependi, romperam o Rio Grande, acampando, finalmente, junto à Serra Negra. Daí, prosseguiram pela Serra da Borba e seguiram rumo ao Rio das Velhas para se estabelecerem no local conhecido como Sumidouro.

Com o Caminho Velho assegurado, começou um intenso tráfego de bandeiras e aventureiros independentes. E com a prova definitiva das riquezas das Gerais, cresceu a atenção e o interesse da Coroa Portuguesa. Garcia Rodrigues assumiu a responsabilidade de melhorar a estrada e recebeu permissão para traçar uma nova rota, partindo da cidade do Rio de Janeiro, a que ficou conhecida como Caminho Novo e, já no mapa desenhado pelo padre Codeu, aparecem registrados, nos primeiros anos do século XVIII, o Caminho Velho de São Vicente, com acesso por Paraty e passagem por São Paulo, e o Caminho Novo, que partia do Rio de Janeiro, atravessava a Serra dos Órgãos, e encurtava a jornada para o sertão das Minas em mais de vinte dias.

Não demorou muito até Portugal transformar a Estrada Real em tema prioritário de segurança nacional. Como única via entre os portos e as minas de ouro e diamantes, tanto o Caminho Velho quanto o Caminho Novo mereciam vigilância constante. As trilhas receberam postos de controle, pedágio, sendo expressamente proibida, sob pena de morte, a abertura de novas vias de acesso. A carga partia das minas em lombos de escravos ou de burros, transportada em grandes cestos e baús de madeira, e, ao longo da jornada até Paraty e Rio de Janeiro, era pesada, medida e aliviada do quinto, a taxa cobrada pela Coroa. O assunto era de tal importância e a vigilância tão severa que, em 1711, foram recolhidos na Europa todos os livros do viajante Antonil (“Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas”), padre jesuíta que descreveu com riqueza de detalhes todos caminhos de acesso ao sertão das Minas.

Tanto ouro e diamante motivaram um movimento armado que opunha resistência aos representantes da Coroa. Os paulistas se bateram contra os reinóis ou portugueses, num episódio conhecido como Guerra dos Emboabas, no início do século XVIII. O Rio das Mortes não tem esse nome por acaso, e os conflitos transformaram a Estrada Real num fumegante rastilho de pólvora. Em 1720, os ânimos se acalmaram com a criação da Capitania das Minas Gerais, tornando a região aberta para qualquer um que se dispusesse a tentar a sorte nas minas, fosse reinol ou paulista. No mesmo ano, rompeu, em Vila Rica, uma revolução patente contra o poder português. Um dos líderes do levante, Felipe dos Santos, morreu esquartejado sem julgamento, sob as ordens diretas do 3º Conde de Assumar, Governador das Minas. A estrada seria ainda palco para outro movimento nacionalista, uma revolução sem armas, sem exércitos, sem pólvora e sem sucesso. Em 1788 e 1789, Tiradentes, um pouco militar, um pouco médico, percorreu muitas vezes o Caminho Novo do Ouro, incendiando espíritos com ideais de liberdade inspirados na Revolução Francesa. Depois de sua execução, em 1792, seu corpo foi desmembrado e espalhado pelos ranchos de tropas e estalagens mais movimentados da Estrada.

Com o progressivo esgotamento das jazidas, a Estrada Real transformou-se, a partir de meados do século XVIII, no caminho dos tropeiros, tipo de comerciante itinerante que contribuiu muito para a formação do caráter e do espírito mineiros. As tropas levavam mantimentos e mensagens, aceitavam encomendas e funcionavam como, praticamente, o único vínculo entre o sertão e os povoados desenvolvidos do litoral. No lombo dos burros e na cangalha, os tropeiros carregaram o Brasil por quase dois séculos, em dias de chuva, de Sol, na lama, nas subidas íngremes, no frio intenso das montanhas, batendo cascos nas calçadas escravos, até começarem a ser vencidos pela Estrada de Ferro, cujo primeiro trecho foi inaugurado em 1859. (Trecho extraído da Revista PALAVRA, edição de abril de 1999).

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