fbpx

Conta a lenda que havia uma princesa encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi. Seu nome o tempo esqueceu, seu rosto a lembrança perdeu, só se sabe que era linda. Era tão linda que todos a queriam, mas ela não queria ninguém. Vira homens se matarem por vê-la. Tacapes velozes triturando ossos, setas certeiras cortando carnes. Como poderiam amá-la se não amavam a si próprios? A Bela Princesa se apaixonou pelo Sol, o guerreiro de cocar de fogo e carcás de ouro, que vivia lá em cima, no céu, caçando para Tupã.

Mas o Sol, ao contrário de tantos príncipes, não queria saber dela. Não via sua beleza, não escutava suas palavras nem se detinha para tê-la. Mal passava, cálido, por sua pele morena, sua tez cheirando a flor, mal acariciava seus pelos negros, suas pernas esguias e, fugaz, seguia impávido a senda das horas e das sombras. Mas ela era tão bonita que, seus pequenos túrgidos seios, seus lábios de mel e seiva, sua virginal lascívia acabaram também encantando o Sol. E o Guerreiro de Cocar de Fogo fazia horas de meio-dia sobre o Itaguaré…

A Lua mal surgia sobre a serra, já sumia acolá. Logo, não havia noite. O Sol não se punha mais e não havia sono, não havia sonho, e tão perto vinha o Sol beijar a amada que os pastos se incendiavam, a capoeira secava e ferviam os lamaçais… De tênues penugens de prata, plumas alvas de cegonha-açú, a Lua viu que estava ameaçada por uma simples mulher. O Sol, que na Oca do Infinito já lhe dera tantas madrugadas de prazer, tantas auroras de puro gosto, apaixonara-se por uma mulher… E de tanto que Tupã quis saber o que era, que a Lua, cheia de ódio, crescente de ciúme, minguando de dor, se fez um novo ser de noite-sem-lua e foi contar tudo para Tupã. Como uma simples mulher ousou amar o Sol? Como o Sol ousou deter o tempo para amar alguém? Que ele nunca mais a visse! Mas o Sol tudo vê!… Tupã ergueu a maior montanha que existia lá e, dentro, encerrou a Princesinha Encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi.

O Sol, de dor, sangrou poentes e quis se afogar no mar. A Lua, com a dor de seu amado, chorou miríades de estrelas, constelados e prantos de luz. Mas nenhum choro foi tão chorado como o da Princesinha, tão bela, que nunca mais pôde ver o dia, que nunca mais sentiria o Sol… Ela chorou rios de lágrimas, Rio Verde, Rio Passa Quatro, Rio Quilombo, rios de águas límpidas, minas, fontes, grotas, ribeiras, enchentes, corredeiras, bicas, mananciais. Seu povo esqueceu-se de seu nome, mas chamou-a de Amantigir, a “Serra-que-chora”, Mantiqueira, a montanha que a cobriu…Conta a lenda que foi assim…

Trecho da peça “A Fantástica Lenda de Algure”.

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn
Férias de Verão no Hotel Fazenda Serraverde
Gosta de viajar, conhecer novos lugares e vivenciar experiências incríveis? Então, cadastre-se e receba as novidades do Blog.
Quero Receber

O que achou deste artigo? Deixe abaixo seu comentário:

Cadastre-se!
Receba as novidades do
Hotel SERRAVERDE
Receba em primeira mão as novidades do hotel, informações sobre pacotes promocionais e conteúdos sobre turismo no Sul de Minas.
Quero Receber
close-link
Gosta de viajar, conhecer novos lugares e vivenciar experiências incríveis? Então, cadastre-se e receba as novidades do Blog.
Quero Receber